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Atuação multidisciplinar na Disfagia Infantil





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A prevalência de distúrbios da alimentação na pediatria está de 25 a 45% em crianças com desenvolvimento típico e 33 a 80% em crianças com atrasos no desenvolvimento. Porém a incidência de disfagia pediátrica ainda é desconhecida. O que se sabe é que, a incidência de disfunções de deglutição na população pediátrica vem aumentando, devido as taxas crescentes de sobrevivência de crianças prematuras, com baixo peso ao nascer e crianças com históricos médicos complexos.

A fonoaudiologia atua no diagnóstico e terapia das disfagias orofaríngeas, relacionando-se com outras profissões da saúde, a fim de garantir que os aspectos de deglutição e alimentação possam ocorrer de forma segura e eficiente. Também, o fonoaudiólogo não somente atua na assistência direta à criança com disfagia orofaríngea, como colabora para estabelecer os protocolos de avaliação e condutas da equipe multidisciplinar com esse paciente, orienta os cuidadores as formas, posições e técnicas para oferta de via oral de forma segura, e previne possíveis alterações.

A disfagia em crianças pode resultar em risco de crescimento deficiente, desnutrição, deficiência de nutrientes e até mesmo atrasos no desenvolvimento4. É papel da nutricionista avaliar e fornecer diagnóstico nutricional do paciente, incluindo histórico nutricional, avaliação do crescimento, avaliação laboratorial, sinais clínicos nutricionais e ingestão alimentar, bem como garantir as necessidades nutricionais adequadas a partir da forma ou consistência mais segura para a alimentação do mesmo. A terapia nutricional na disfagia tem como objetivo de manter ou recuperar o estado nutricional e a hidratação do paciente com a dieta adaptada às suas necessidades.


Diversos estudos relatam o impacto positivo da participação do farmacêutico clínico no cuidado ao paciente. O papel do farmacêutico clínico é maximizar a terapia medicamentosa e minimizar os riscos, promovendo o uso seguro e racional de medicamentos.

O uso de muitos medicamentos, conhecido como polifarmácia, aumenta o risco de ocorrer eventos adversos. Logo é imprescindível que haja o monitoramento destes possíveis eventos, buscando reduzir problemas relacionados a medicamentos e, consequentemente, propiciando a melhora da qualidade de vida dos pacientes9,10. Dentre os principais parâmetros avaliados na prescrição estão a via de administração, frequência e dose dos medicamentos, compatibilidade, reconstituição e diluição de medicamentos endovenosos, interações medicamentosas (medicamento versus medicamento e medicamento versus alimento), alergias, monitoramento de reações adversas ao medicamento (RAM) e avaliação do uso de medicamentos via sonda, visando fornecer as orientações adequadas para a administração.

A atuação da farmácia clínica nesses casos de disfagia pediátrica, auxilia na orientação aos demais profissionais sobre a terapia medicamentosa do paciente e seus efeitos colaterais, visto que alguns medicamentos podem causar xerostomia, sialorreia e sonolência, dificultando as terapias com o paciente disfágico, além do auxílio com a forma de ingerir a terapia medicamentosa, de acordo com as possibilidades de alimentação. A contribuição do farmacêutico junto à equipe multidisciplinar, além de aumentar a qualidade e segurança no atendimento, proporciona a racionalização de recursos, reduzindo custos com o tratamento. A atenção farmacêutica pode ainda auxiliar na adesão dos pacientes ao tratamento, fazendo-se essencial para o alcance dos objetivos e resultados terapêuticos.

A fisioterapia nos casos de disfagia está relacionada principalmente com o funcionamento adequado do sistema respiratório, visando a manutenção ou recuperação da função pulmonar para garantir a permeabilidade das vias aéreas. Cabe salientar a correlação existente entre a fraqueza muscular respiratória e as disfunções da deglutição, que podem aumentar o risco de aspiração traqueal e, consequentemente, a instalação das pneumonias aspirativas. Na ausência de força muscular respiratória, os volumes e capacidades pulmonares sofrem redução, o que afeta o sistema de proteção das vias aéreas durante a deglutição. Assim, pode-se destacar algumas intervenções possíveis dentro do tratamento fisioterapêutico, como a desobstrução das vias aéreas, o manejo de secreções e manutenção dos volumes pulmonares, o que colabora diretamente para os aspectos de coordenação entre respiração e deglutição nas crianças.

A atuação da psicologia oferece apoio aos pacientes e aos familiares durante o processo de readaptação ou impossibilidade de alimentação, proporcionando espaço para acolhimento e trabalho com os sentimentos vivenciados nessa situação, além de auxiliar com estratégias para enfrentamento da nova condição de alimentação e no processo de reabilitação da mesma. A importância do psicólogo concentra-se na tarefa de atuar como um facilitador no processo dos pacientes, assim como de seus familiares, de adaptação e de mudança de papéis diante da condição de adoecimento. O adoecimento de uma criança atinge inevitavelmente todo o sistema familiar, podendo ocasionar o surgimento de diversos sentimentos, como angústia, apreensão e até mesmo o desenvolvimento de quadros psicopatológicos, como resultado das mudanças que são exigidas à criança e à família neste contexto, especialmente quando se faz necessária a hospitalização. Tendo em vista este cenário, o acompanhamento psicológico poderá auxiliar na preparação da criança e da família acerca dos procedimentos e intervenções terapêuticas que se farão necessários, no sentido de provocar o levantamento de estratégias de enfrentamento16.

Permeando a atuação de todos os profissionais, o médico, além de ser o responsável por fazer a solicitação de intervenção da equipe multiprofissional, muitas vezes, é o profissional que inicialmente identifica os sinais e sintomas da criança disfágica. Para além disso, é o profissional que está sempre presente nas unidades de saúde, sendo responsáveis pela prescrição do paciente. Cabe ao médico também, identificar as condições clínicas iniciais para reintrodução de via oral, para início de acompanhamento fonoaudiológico.

Para finalizar, a atuação multiprofissional com esses pacientes proporciona integralizar o cuidado, e compartilhar os conhecimentos específicos de cada área, objetivando à reabilitação da criança disfágica.

Espero que você tenha gostado da nossa abordagem.

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