Olá! Tudo bem? Esse blog faz parte da Chakalat.net e esse post fala sobre Fases da Deglutição.
A deglutição é dividida em etapas para fins de estudo: fase oral, em que ocorre a captação, a mastigação ou a manipulação do alimento para transformá-lo em bolo alimentar, e a ejeção do mesmo para a orofaringe (ou a garganta). Em seguida, vem a fase faríngea que inclui a movimentação da laringe, o fechamento da via respiratória e a abertura do esôfago e, por fim, a fase esofágica que leva o bolo ao estômago por meio de movimentos peristálticos do esôfago.
Qualquer alteração em uma dessas fases ocasionará dificuldades no processo da alimentação, o que pode acarretar em desnutrição, desidratação e/ou pneumonia aspirativa.
Como citado anteriormente, um dos mecanismos necessários à deglutição é o fechamento da via respiratória - e quando esses movimentos não estão coordenados, ocorre entrada de alimento, saliva ou secreções na via respiratória. Chamamos isso de penetração ou aspiração laringotraqueal e a consequência disso é a complicação pulmonar.
Em relação às fases da deglutição, encontra-se na literatura autores que citam como tendo três fases – oral, faríngeana e esofagiana; outros consideram que existem cinco fases – uma primeira que seria o comando do sistema nervoso central quando sentimos o cheiro de algum alimento e começamos a nos preparar para deglutir – em segundo viria a fase preparatória, a oral, a faríngea, a esofágica. Estas divisões ocorrem somente para fins didáticos, pois todo processo ocorre muito rápido. Aqui usaremos a divisão mais utilizada pelos autores que são quatro fases: preparatória, oral, faríngea e esofágica.
Características da fase I – preparatória
Fase voluntária da deglutição e que constituiria uma fase intermediária entre o final da mastigação e o início da deglutição. O alimento que está na boca é transformado em bolo alimentar coeso, permanecendo na boca momentaneamente, enquanto é preparado para o transporte. Nesta fase a língua se prepara para a deglutição, formando uma depressão na sua superfície. As bochechas e os lábios também colaboram para impulsionar o bolo para a fase seguinte. A fase preparatória ocorre na deglutição alimentar, quando há formação do bolo alimentar. Nesta fase o nervo trigêmeo, facial e hipoglosso participam, comandando os músculos que vão atuar.
Características da fase II – oral
Fase ainda voluntária e um pouco mais demorada que a anterior e "é caracterizada pela propulsão intraoral que determina um fluxo baixo de transporte sobre a própria superfície da língua." A sequência de movimentos que ocorre nesta fase é: o ápice da língua é projetado para cima e para trás, seguida da formação de uma concavidade que forma uma espécie de colher, processo ondulatório da parte posterior para a base da língua, com isso o bolo alimentar é deslocado no sentido da faringe. Esta fase é considerada "como a formação de um êmbolo lingual que pressiona o bolo alimentar para trás, formando-se um sistema de pistão propulsor do bolo."
Esta fase é finalizada com a abertura do esfíncter glossopalatino, que é determinado pelo aumento do diâmetro posterior da boca por abaixamento da base da língua e levantamento do véu palatino. Os nervos protagonistas desta fase são o trigêmeo e o hipoglosso, sendo que o plexo faríngeo começa a assumir um papel relevante. Na figura 6b temos a representação esquemática de corte sagital da boca, faringe e laringe, assinalando por números o local das quatro fases da deglutição. 1- fase preparatória, 2- fase oral, 3- fase faríngea e 4- fase esofágica.
Características da fase III – faríngea
Considera-se a fase faríngea a mais complexa da deglutição, devido ao grande número de estruturas atuantes e da necessária coordenação temporal entre as funções, respiratória e digestória. Esta fase é considerada involuntária, e tem início quando a resposta de deglutição foi desencadeada e o bolo alimentar passa pelo véu palatino elevado, pela epiglote e pela região laringotraqueal protegida, atravessando o esfíncter esofágico superior, trajeto que dura entre 0,7 a 1,0 segundo.
Nessa fase ocorre apneia de aproximadamente um segundo, facilitando assim, a passagem do bolo alimentar para o esôfago e não para as vias respiratórias.
Características da fase IV – ou esofágica
Esta fase é inconsciente, involuntária e mais lenta, demorando por volta de seis segundos na deglutição de bolo alimentar e mais rápida na deglutição de líquidos. O bolo alimentar entra no esôfago após a abertura do músculo cricofaríngeo, e é levado ao estômago através dos movimentos peristálticos de caráter descendente ou aboral reflexos, que empurram o bolo alimentar do esôfago para o estômago.
Nessa fase, no esôfago "ocorrem ondas peristálticas primárias e secundárias sequenciais, iniciadas pelos constritores da faringe. Quando a onda peristáltica primária alcança o esfíncter inferior do esôfago, este relaxa, permitindo a passagem do bolo alimentar ao estômago, encerrando-se assim o processo da deglutição."
O esôfago é o tubo aonde o alimento vai para o estômago, também permite o movimento inverso durante o vômito e a eructação. O alimento é transportado através de ondas peristálticas sincronizadas, sendo que, podemos dizer que o peristaltismo é a "compressão sistemática do segmento muscular que ficou para trás do bolo alimentar, com relaxamento simultâneo do segmento que está a sua frente." Este movimento provoca uma espécie de estiramento do bolo na faringe e no esôfago.
A faringe tem a forma de um tubo que vai da base do crânio, atrás da cavidade nasal, até o esfíncter esofágico superior, na verdade, não é um tubo completo, mas sim um semicírculo fechado na parte de trás. É um órgão com grande complacência, podendo adquirir graus variados de distensão de acordo com a quantidade do bolo alimentar ingerido. É recoberta por uma membrana mucosa. A parede posterior da faringe está posicionada contra a face anterior das vértebras cervicais, porém, separadas totalmente pelas camadas de fáscia, com isso, ela fica livre para se encurtar ou se alongar verticalmente.
Esse tubo formado pela faringe e pelas estruturas anteriores não é liso e uniforme, mas é composto de dois recessos pelos quais o bolo alimentar passa durante o percurso na faringe – as valéculas e os seios piriformes (conforme podemos observar na figura 6d que apresentamos uma vista posterior dos recessos faríngeos em secção coronal). Inicialmente, o bolo alimentar passa pelos espaços em "L" das valéculas, seguindo para os seios piriformes, em seguida desloca-se por canais laterais da laringofaringe.
Espero que você tenha gostado da nossa abordagem.
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